I SMSTEM: simpósio reuniu mulheres cientistas do presente e do futuro

Por: Lindamir Salete Casagrande

No último final de semana, 13 e 14 de março de 2020, aconteceu o I Simpósio Brasileiro de Mulheres nas STEM (I SMSTEM) que reuniu mulheres de todas as idades no Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) em São José dos Campos, São Paulo, Brasil. Foi um momento lindo que ocorreu sob a ameaça do coronavírus que se espalhava pelo Brasil. Mulheres de todo o país se deslocaram, mesmo temerosas, até o ITA para compartilhar os resultados e práticas de seus projetos que estimulam a inserção e permanência de meninas/moças/mulheres nas áreas STEM (Science, Technology, Engeneering and Math) e eu estava dentre elas. Ao dar as boas-vindas ao evento, o reitor do ITA, prof. Dr. Anderson Ribeiro Correia ressaltou que nunca viu tantas mulheres naquele instituto no qual a maioria dos/as estudantes e professores/as são homens. Fizemos história.

Segundo as organizadoras, o evento superou as expectativas no que tange a quantidade de propostas. Foram 182 resumos submetidos e 145 aceitos. Todos apresentavam resultados de experiências bem sucedidas e realizadas nos mais distantes rincões deste país continental. Tivemos 32 apresentações orais e 115 pôsteres que foram divididos em duas seções. A imagem que segue mostra a distribuição dos trabalhos pelo território brasileiro. Os quatro estados com maior número de trabalhos foram São Paulo (44), Minas Gerais (17), Rio de Janeiro (15) e Paraná (12). Apenas 4 estados não compareceram ao evento. São eles, Acre, Ceará, Mato Grosso e Rondônia.

Mapa de distribuição dos trabalhos
Fonte: arquivo pessoal

A grande quantidade de submissões significa que muitas ações estão sendo realizadas pelo país com o intuito de promover a inserção e permanência feminina na área STEM e assim, diminuir gradativamente os obstáculos que a elas se impõe para se consolidarem e serem reconhecidas como cientistas, bem como, o preconceito com relação a participação feminina neste campo do conhecimento.

Foi um momento de muita aprendizagem. Eu arrisco dizer que este foi o Simpósio que mais me acrescentou conhecimento e esperança dentre todos os que tive a oportunidade de participar ao longo de minha trajetória acadêmica. A presença de muitas meninas, sim meninas, estudantes do ensino médio e universitário, renovou as esperanças e deu a certeza de que temos sucessoras. Meninas/moças com lindas iniciativas que possibilitam a maior aproximação e conhecimento de outras meninas/moças sobre o mundo da ciência. Com o conhecimento pode haver o encantamento e a decisão de seguir por este caminho. Este indicativo foi possível perceber nas falas das participantes, no brilho no olhar e no sorriso que era marca constante em seus rostos. Estas expressões injetaram uma dose extra de energia e vontade de continuar atuando junto com elas na transformação da realidade da juventude brasileira, de modo especial da parcela que encontra mais dificuldades e tem menos oportunidades.

Dentre a diversidade de trajetórias e de projetos, uma história chamou a atenção de todas as pessoas que lá estavam. Ela foi evidenciada já na abertura do Simpósio pela fala do vice-reitor Prof. Jesuíno Takachi Tomita que destacou a jornada que ela fez para chegar até São José dos Campos. Foram 12 horas de barco, 8 horas de voo e 1 hora de ônibus, isso tudo acompanhada de uma bebê de pouco menos de um ano de idade. Estou falando de Eliene Santos que pode ser conhecida na imagem que segue. Ela apresentou o projeto As ciências exatas e as “cunhantãs” do Quilombo do Abuí – Oriximiná – Pará. Cunhantã, segundo definição de Eliene, significa meninas/moças guerreiras. Eliene esteve presente em todo o evento e sua filha a acompanhou. Em nenhum momento a bebê chorou, parecia entender a importância da participação de sua mãe naquele momento histórico. Em vários momentos quis oferecer ajuda com a bebê, mas, em tempo de coronavírus, tive que me conter. Certamente muitas outras mulheres tiveram o mesmo sentimento e o mesmo cuidado.

Perseverança e determinação
Fonte: arquivo pessoal

Quando assisti à apresentação de seu projeto pude entender a razão do título, super adequado, diga-se de passagem. Eliene, com sua filha dormindo em seus braços, explicou que as meninas participantes do projeto tinham que se deslocar de barco em viagem que durava 12h desde o Quilombo do Abuí até Oriximiná, ou seja, 12h para ir e outras 12h para voltar. Contou inclusive, que em uma das viagens, o barco ficou à deriva com as crianças a bordo. Sem dúvidas elas, assim como Eliene, são guerreiras.

Eu estive lá apresentando um projeto que será desenvolvido neste ano junto às escolas municipais e estaduais de Curitiba e Região Metropolitana. O projeto Contando histórias de mulheres, inspirando crianças e adolescentes, embora embrionário pois ainda não foi colocado em prática, teve excelente aceitação e algumas participantes manifestaram a intenção de replicar o projeto em seus municípios, fato que me deixou extremamente feliz. Foi uma troca de experiência e de ideias muito produtiva e estimulante. A exposição na forma de pôster permitiu o contato direto com as demais participantes e surgiram muitos convites para fazer parceria e visitar outros projetos com participação em algumas atividades deles. Para que serve a participação em congressos e simpósio? Serve para compartilhar conhecimento, ampliar a rede de relações, planejar parcerias e construir amizades.

Eu e o projeto
Fonte: Arquivo pessoal

No dia 13 de março a tarde tive a oportunidade de lançar meus livros Marie Curie: uma história de amor à ciência, Zilda Arns: a tipsi que amava as crianças e Ervilhas tortas. Foi muito gratificante receber o carinho e apoio das mulheres que ali estavam. Também levamos o livro Ada Lovelace: a condessa curiosa de autoria de minha querida amiga Silvia Amélia Bim que fez muito sucesso por lá. Marie Curie e Ada Lovelace formaram uma linda e poderosa dupla e foram encantar as crianças e adolescentes Brasil afora.

Preparada para as dedicatórias.
Fonte: Arquivo pessoal

Outro momento importante e lindo do evento foi a palestra da profa. Dra. Marcia Barbosa. Ela aliou dados quantitativos e bom humor para denunciar os preconceitos e barreiras que se impuseram ao longo da história das mulheres nas ciências. Nas palavras dela, ciência se faz com pesquisa e dados, então seria baseada em dados que construiria sua fala e assim o fez. Ao final foi aplaudida de pé por uma plateia feminina e que se viu ali representada, tanto pela pessoa de Marcia (inteligente, competente, simpática, bem humorada e generosa), quanto pelos dados por ela apresentados. Aqueles obstáculos lhes eram familiares, elas tiveram que transpô-los para estarem ali.

Depois da palestra, Marcia continuava distribuindo sorrisos e gentilezas e não se negava em registrar aquele momento em muitas fotos. Me chamou a atenção o encanto que provocava nas meninas/moças que a cercavam e em mim também evidentemente. Na imagem que segue, reunimos algumas paranaenses para registrar o encontro com esta mulher encantadora e competentíssima. Sem abraços mas com muito afeto e sorrisos.

Paranaenses marcando presença e tietando
Fonte: arquivo pessoal

Essas são algumas memórias deste Simpósio memorável. Ao final acordamos que o II SMSTEM será realizado novamente no ITA daqui a dois anos (2022). Também acordamos que realizaremos encontros regionais bianuais a partir de 2023. Esperamos vocês lá.

Retornei para Curitiba com as energias renovadas e sem trazer na bagagem o coronavírus. Ufa!

Dia 08 de março tem Mulheres na literatura

Por: Lindamir Salete Casagrande

Dia 08 de março celebramos o dia internacional da mulher, porém, diante da realidade atual, na qual, os direitos mais elementares são retirados e/ou negados a elas, pouco temos a comemorar.

Porém, neste 08 de março acontece o evento Mulheres na Literatura, promovido pela Editora InVerso em sua sede situada na rua Dr. Goulin, 1523, no qual 4 mulheres lançarão suas obras literárias. A literatura é uma forma de resistência, de expor a forma de pensar, de levar ludicidade a outras pessoas, de construir sonhos, de ampliar a realidade, de se expressar. As mulheres têm produzido muita literatura e merecem ser lidas.

Uma imagem contendo texto, jornal

Descrição gerada automaticamente
Material de divulgação
Uma imagem contendo texto

Descrição gerada automaticamente

Eu sou uma dessas mulheres que encontram nos livros uma forma de expressar seu pensamento e vou lançar duas obras neste dia.

A primeira é destinada ao público infantojuvenil e traz a biografia de Zilda Arns, médica pediatra catarinense que construiu sua trajetória profissional em Curitiba. Sua vida foi permeada pela fé cristã, conhecimento científica e amor ao próximo. Zilda foi uma mulher forte e sensível e, com sua obra, mudou a vida de milhões de brasileiros ao criar e coordenar a Pastoral da Criança que se espalhou mundo afora. O livro Zilda Arns: a tipsi que amava as crianças é uma homenagem a esta mulher inspiradora e conta com a participação de Lucy Ana Soares Camelo Casagrande que, com sua arte, contou a história de Zilda por meio das belíssimas ilustrações. Quando você ler o livro, preste atenção à última ilustração e reflita o que ela significa. Se puder, compartilhe sua percepção comigo.

Uma imagem contendo texto

Descrição gerada automaticamente
Capa do Livro Zilda Arns: a tipsi que amava as crianças

A segunda, destinada ao público geral, intitulada Ervilhas Tortas traz episódios da minha infância na roça. Apresenta ao público urbano a realidade de uma menina que viveu sua infância na simplicidade do campo, próximo à natureza, que propiciava uma liberdade que hoje já não mais existe. Os episódios se passam nos idos dos anos 1970. Compartilho as aventuras e desventuras minha e de meus familiares naquele sítio no interior do Paraná, do qual tenho muita saudade e que hoje já não mais existe. A pequena propriedade familiar que produzia muita riqueza e lindas histórias, virou um pedacinho de uma fazenda de grandes empresários que cultivam eucalipto, arvore fria e sem emoção.

Capa de Ervilhas tortas

Convido a todas e todos para participar deste momento comigo e com as demais autoras que lançarão suas produções neste dia. Ler a produção de mulheres é incentivá-las a continuar produzindo. Vem você também!

Série Meninas, moças e mulheres que inspiram

Por: Lindamir Salete Casagrande

Contar a história de mulheres que mudaram o mundo com seus estudos, sua ciência, sua arte, sua luta, sua postura diante do mundo, de maneira lúdica e leve é o desafio a que me proponho nesta série destinada ao público jovem. As mulheres cujas histórias serão contadas, embora tenham feito grandes contribuições para a história da humanidade, não são suficientemente conhecidas pela maior parte da população. Assim, espero oferecer às crianças e aos adolescentes – e por que não aos adultos? – uma nova fonte para que possam saciar sua sede de saber, alimentar sua curiosidade, ampliar seus exemplos, construir seus sonhos, enfim, se inspirar. Esta é uma série que será escrita, ilustrada e editada por mulheres, porém destinada a todas as pessoas que amam a leitura e o conhecimento.

No dia 05 de outubro de 2019 lancei meu primeiro livro da Série “Meninas, moça e mulheres que inspiram” contando a biografia de Marie Curie. Esta é uma nova experiência que estou vivenciando e que está me dando enorme prazer, embora seja desafiadora. Adequar a linguagem acadêmica a um público não acadêmico é uma tarefa árdua, porém necessária e gratificante. Contar a história da maior cientista que o mundo já conheceu de forma a valorizar sua trajetória, suas conquistas, suas lutas, seus desafios, os tabus por ela enfrentados e superados é uma honra, porém carrega muita responsabilidade. Espero que tenha conseguido fazê-lo de forma lúdica e inspiradora. Conto com a valiosa colaboração de Vanessa Martinelli que contou a história de Marie Curie por meio das ilustrações e, com sua arte, enriqueceu a obra. Agradeço ainda a Editora Inverso na pessoa de sua presidente Cristina Jones por encarar este projeto comigo. O livro está a vendo por meio do site da Editora Inverso (www.editorainverso.com.br).

Capa do livro

Este é o primeiro livro da série. A continuidade do projeto depende da aceitação e repercussão desta obra. Já estou coletando informações por meio de pesquisa bibliográfica sobre a próxima mulher a ser biografada. Acho que será um livro lindo. A homenageada exala amor, empatia, solidariedade, cuidado, capacidade, simpatia, resiliência e por que não, teimosia (ou seria persistência). Muitas vezes precisamos ser teimosas para sermos ouvidas e ela fazia isso. Jamais desistia de seus objetivos, era forte. Acionei o botãozinho da curiosidade? Ótimo, essa era a intenção. Aguardem!