Por: Lindamir Salete Casagrande

Marithania Silvero Casanova
Fonte: El Español

Marithania, nascida em Huelva na Espanha em 1989, é professora assistente da Universidade de Sevilha na área de Matemática. Ela, desde muito jovem, gostou de desafios o que a fez se apaixonar pela matemática e pela ciência. Seu principal passatempo na infância e adolescência era resolver os problemas matemáticos. Era uma menina que fugia aos padrões esperados em um ser do sexo feminino.

Quando questionada por Paolo Fava (2019, online, tradução nossa) sobre quando surgiu seu interesse pela matemática ela respondeu:

“desde os sete ou oito anos. A matemática sempre foi o que eu mais gostava. E tive a sorte de ter professores muito bons que sempre me propunham a resolução de problemas como uma meta. Ou uma adivinhação. E em minha casa brincávamos muito, como, por exemplo, no carro: ‘Vamos somar as placas!’.”

Seu amor pela matemática se manteve aceso e só aumentou com seu crescimento e amadurecimento. Diante disso, ela percebeu que a carreira matemática era o caminho a ser seguido e assim o fez. Em 2015, com apenas 24 anos de idade, concluiu seu doutorado com a tese intitulada On some families of links and new approaches to link homologies (Em tradução livre – Em algumas famílias de vínculos e novas abordagens para vincular homologias) defendida na universidade de Sevilha, Espanha.

Marithania é uma pesquisadora que gosta da pesquisa em matemática pura e defende a pesquisa básica, fundamental para o desenvolvimento científico de qualquer país. Em entrevista a Raúl Limón (2019, online,) Silvero afirmou:

“Gosto de pesquisa pura, de ciência básica, a responsável por expandir os limites do conhecimento. Se depois meus resultados puderem ajudar cientistas de outras áreas a resolver seus problemas, ficarei feliz, mas esse não é meu objetivo.”

Silvero se especializou em “teoria dos nós” e assim explica, para pessoas leigas, o que é um nó:

“Lhe diria para pensar em uma corda normal, amarre as duas pontas com um nó. O que estudamos são as transformações que podemos fazer nessa corda sem rompê-la: esticando-a, passando uma parte por cima da outra… Em linguagem matemática, diríamos que se busca formas de deformar o espaço de uma dimensão (a cordapode ser comparada a uma reta) para um espaço de três dimensões.” (FAVA, 2019, online, tradução nossa)

Seus estudos estão dando resultados. Neste ano de 2019 ela recebeu o “premio de Investigación Matemática Vicent Caselles que otorgan la Real Sociedad Matemática Española y la Fundación BBVA” (FAVA, 2019, online, grifos do autor) por ter refutado a conjectura de Louis Kauffman, cientista estadunidense, que já durava 30 anos. Ela encontrou um nó que rebate a teoria de Kauffman (não vou explicar essa teoria aqui, pois meu objetivo e apresentar Marithania) e isso a fez merecedora de tal premiação. Esta refutação ocorreu pouco antes de um encontro entre Silvero e Kauffman, seu mestre, que não só endossou a descoberta de Silvero como os dois se tornaram colaboradores e parceiros de pesquisa.

Silvero atribui seu êxito em sua caminhada ao apoio de familiares, amigos/as e professores/as. Ela ressalta a importância dos/as professores/as na vida dos/as estudantes. Em sua opinião, professores/as que amam o que ensinam e transmitem esse amor aos/às seus/suas alunos/as podem fazer com que as aulas sejam mais agradáveis e atrativas e assim, aumentar o interesse pela aula e palos estudos.

Ela, embora afirme não ter sofrido os preconceitos que se impõe às mulheres que almejam ou melhor, ousam, adentrar nas áreas científicas, reconhece que eles existem e dificultam a trajetória das mulheres nesta área do conhecimento. Em suas palavras “Não senti um tratamento diferente ao dispensado aos meus companheiros, mas é verdade que conheço companheiras que tiveram outras experiências” (Silvero apud LIMÓN, 2019, online,). Silvero destaca que quando fala que é matemática costuma ouvir um espantado “não parece!”. Isso se deve aos estereótipos do que é um/a cientista. Normalmente as pessoas pensam que matemáticos são do sexo masculino e velhos. Marithania é mulher, jovem e bonita, ou seja, não pode ser matemática. Pode sim!

Destaca ainda a importância de modelos atuais para que mais jovens se interessem pela área científica. Para ela, as mulheres que se destacaram no século XIX e até antes dele, não servem de exemplo, pois, as adolescentes atuais não se identificam com elas. Neste aspecto eu discordo de Silvero e acredito ser fundamental que as meninas/moças/mulheres conheçam as suas antecessoras e se inspirem nelas independente de que século elas são. Entretanto concordo com ela no que diz respeito à relevância de se mostrar a história de mulheres atuais que sirvam de exemplo e de inspiração. Por isso escolhi contar brevemente a história de Marithania. Ela é sem dúvida uma mulher da atualidade e serve de exemplo por sua genialidade.

E você? Gostou de conhecer essa brilhante mulher que ama a matemática? Então curta, siga, compartilhe este blog para que possamos continuar contando outras histórias de meninas, moças e mulheres brilhantes.

Fontes:

FAVA, Paolo. La matemática andaluza que solucionó a los 26 la conjetura que nadie había resuelto en 30 años. El Espanhol, 08 de outubro de 2019. Disponível em: https://www.elespanol.com/ciencia/investigacion/20191008/matematica-andaluza-soluciono-conjetura-nadie-resuelto-anos/434956720_0.html . Acesso em: 21/12/2019

LIMÓN, Raúl. Jovem matemática refuta conjectura estabelecida há 30 anos. El País, 21, dezembro de 2019. Disponível em: https://brasil.elpais.com/ciencia/2019-12-21/jovem-matematica-refuta-conjectura-estabelecida-ha-30-anos.html?fbclid=IwAR1WOxfFIo7H2JYUXYPJWacaewABIeOkUNe6UK4IhSq9guYjDkkWoYKB7Qk . Acesso em: 23/12/2019.Os nós. Disponível em: https://www.math.tecnico.ulisboa.pt/~cviva/teoria_dos_nos.html. Acesso em: 23/12/2019.

Um comentário sobre “Marithania Silvero: Lugar de mulher é… na matemática!

  1. Muito bom, porque revela o que nos incomoda; são sempre os mesmos argumentos: matemática é para homens e velhos e meninas que gostam de matemática fogem aos padrões de feminilidade. Divulgar a história de Marithania ajuda a desmentir essas concepções.

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