Por: Lindamir Salete Casagrande

Mais um ano se finda. Um ano muito pesado devido as condições que nosso amado país foi submetido graças a escolhas equivocadas que nosso povo tomou nos últimos anos. Um ano em que a intolerância de todas as formas se ampliou. Vimos agressões por intolerância religiosa se manifestar em incêndios a terreiros de Candomblé, em ataques a presépio em igrejas católicas, supostos cristãos (não dá para considerar cristãos quem não pratica os preceitos de Cristo) fazendo arminhas com as mãos dentro de supostas igrejas (para mim, igreja é um espaço de oração e de pregar o amor e a paz), defendendo torturador. Esquecem que Jesus foi torturado até a morte. Acho que Cristo jamais defenderia a tortura né?

Foi pesado também porque vimos muitas mulheres sendo agredidas e assassinadas por homens que se acham proprietários delas. Não aceitam o fim do relacionamento e, por isso, matam. Não querem o filho que a mulher espera e, por isso, matam. Não conseguem ouvir um não, não podem ser contrariados. Vimos crianças serem assassinadas por aqueles que as geraram (não ouso chamar de pai) para atingir/punir a mãe, sua ex-mulher, ex-companheira. Que tipo de homem é esse? Essa violência toda manifesta o quão fracos e covardes são estes sujeitos que se escondem atrás do machismo.

A homofobia e o racismo passaram a ser cotidianos. Foram raros os dias que não ouvimos um relato, ou lemos uma notícia de uma pessoa negra que sofreu preconceito, violência ou foi morta por causa da cor de sua pele. Pessoas brancas que se acham superiores por isso se sentem no direito de agredir, ofender, humilhar, matar. Com toda a certeza, essas pessoas não são superiores, muito pelo contrário. Quando flagrados, denunciados e/ou presos, tem coragem de negar mesmo as imagens mostrando a agressão. Outros seres humanos iguaizinhos a eu e a você que está lendo este texto sofrem violência por causa de sua orientação sexual. Racismo e homofobia são crimes, mas, com a justiça que temos no Brasil, quem teme? Somente os/as negros/as e/ou pobres.

Vimos o meio ambiente mundial e principalmente de nosso país ser destruído por meio de incêndios, desmatamentos, rios sendo mortos depois do rompimento de barragens por irresponsabilidade humana. Muitas vidas foram interrompidas precocemente devido a estes crimes. Muitas outras vidas sofrem as consequências desta atitude interesseira, irresponsável, gananciosa dos diretores da Vale, que vivem em suas salas com ar condicionado. A vida marinha também sofreu com a irresponsabilidade e falta de seriedade e compromisso do ser humano. O óleo que chegou ao nosso litoral, ainda sem explicação, e pior, sem interesse dos governantes em explicar e resolver, ou pelo menos, minimizar os impactos desta tragédia, matou muitos animais marinhos, destruiu santuários naturais e acabou com a fonte de renda e sustendo de muitas famílias que viviam do que extraiam do mar. Muita mulheres sustentam sua prole com o que retiram artesanalmente do mar.

É, 2019 foi pesado!

Mas também teve coisas boas. E é nestas coisas boas que busco forças para receber o novo ano que se inicia amanhã. Dentre essas coisas, temos a consolidação dos Cadernos de Gênero e Tecnologia que já iniciará o ano com o primeiro número de 2020 publicado. Está recebendo artigos de diversas instituições do País e se transformando, cada vez mais, em um espaço para divulgação do conhecimento produzido por homens e mulheres que consideram a temática de gênero fundamental para atingir a equidade e a paz. Muito obrigada a todas as pessoas que acreditaram e acreditam em nosso trabalho. Vocês são demais!

Neste ano que se finda iniciei o projeto de publicação de biografias femininas para o público infantojuvenil. A série Meninas, moças e mulheres que inspiram deu seu primeiro passo com a publicação do livro Marie Curie: uma história de amor a ciência que conta a história da maior cientista que esse mundo já viu. Em minha modesta opinião, Marie Curie superou Albert Einstein, mas é a minha opinião. Como sou feminista, entendo que cada um pode ter a sua opinião, ou seja, você pode discordar de mim, mas precisa respeitar minha opinião desde que ela não prejudique, não faça mal a ninguém. Obrigada a Editora Inverso (www.editorainverso.com.br), na pessoa de Cristina Jones, por acreditar neste projeto!

No dia de ontem entreguei à editora o texto do próximo livro que deverá ser lançado no mês da mulher, março de 2020. O livro será lindo! Também entreguei a primeira parte de um novo projeto, mas esse permanecerá em segredo, por enquanto. Aguardem!

Ainda em 2019 comecei este blog. Foi um desafio de minha querida amiga Lea Velho que me cutucou dizendo que eu deveria criar este espaço para publicar minhas reflexões. Comentei com outras amigas e uma delas, de modo especial, botou muita pilha. Foi Silvia Amélia Bim. Eu tentei não me deixar seduzir pela ideia pois nada entendia (e pouco entendo) de construção e alimentação de blog. Mas aos poucos me rendi a ideia e fui em busca de ajuda. Agradeço a Rael Dill de Mello e Danilo Moraes da Silva que me ajudaram com as noções básicas e Adriana Ripka que me socorreu no meio do caminho. Meu querido Tommy foi o responsável pela arte que você vê no cabeçalho. O blog está no ar e aguardando que vocês deem likes, nos sigam e enviem suas colaborações.

Neste ano também vi meus alunos e minhas alunas, meus amigos e minhas amigas conquistando seus espaços neste mundo maravilhoso e desafiador e isso me deixa muito feliz.

Para o próximo ano, desejo que estejamos unidas/os e fortalecendo umas/uns às/aos outras/os para que o fardo seja mais leve e consigamos enxergar as flores do caminho. Que consigamos encontrar paz interior e exterior para apreciar a natureza e enxergar novas possibilidades que se apresentam e, muitas vezes, não conseguimos vê-las. Que nos amemos para que possamos amar ao próximo. O amor ilumina a alma, adoça a vida, faz o mundo mais bonito.

Seja bem-vindo 2020! E que tenhamos esperança do verbo esperançar, como nos ensinou Paulo Freire.

Um comentário sobre “Adeus ano velho, feliz ano novo!

  1. Linda, querida, belo e inspirado texto! Obrigada por dividir suas reflexões, parabéns pelas conquistas! Sim, vamos ter esperança e sigamos na luta. Aqui da Bahia, que sempre espera você de braços abertos, te mando um abraço e um cheiro bem baianos!

    Curtir

Deixe um comentário

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.