Por: Lindamir Salete Casagrande
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelas mulheres que conciliam (ou acumulam) a maternidade e o fazer científico é participar de eventos científicos. Quem cuidará da criança? Onde deixá-la? Na cultura brasileira, cuidar das crianças ainda é uma atribuição das mulheres, então esta é uma dificuldade que se impõe quase que exclusivamente às mulheres.
Alguns/mas podem dizer que a mulher pode escolher não participar destes eventos. Esta não é uma solução. Os eventos científicos são espaços onde a troca de conhecimento ocorre com maior intensidade, são espaços para ver e ser vista/o, espaços nos quais se tem a oportunidade de dialogar com pares, de construir parcerias e de alavancar a produção do conhecimento, ou seja, não dá paras “escolher” não participar.
Cabe destacar que, na realidade brasileira, professores e professoras são cobrados/as e avaliados/as pela produtividade. Por produtividade entende-se aulas ministradas, publicação de artigos em revistas e eventos científicos, publicação de livros e capítulos de livros, editoração de revistas, orientações de mestrado e doutorado, participação em eventos científicos como ponentes ou participantes de mesas redondas e palestras, dentre outras atividades, ou seja, caso elas não participem de eventos científicos terão sua produtividade e, por consequência, sua avaliação piorada. Serão julgadas como menos capazes do que os homens.
Com o objetivo de facilitar a participação das mulheres mães nestes eventos cientistas brasileiras criaram um manifesto solicitando que os/as organizadores/as de congressos científicos incluam mães cientistas e seus bebês na programação. Essa iniciativa propiciaria a participação mais adequada das mulheres.
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Vamos apoiar esta iniciativa.